Abdias Nascimento Autor - 1914, Brasil
Nascido em 1914, em Franca, Abdias Nascimento foi uma figura multifacetada da história brasileira. Um influente ativista, político, escritor, ator, diretor de teatro e artista visual, cujo legado é amplamente reconhecido por suas contribuições à luta contra o racismo e pela valorização da cultura afro-brasileira. Na esfera política, a partir do final dos anos 1970, Abdias Nascimento se destaca como um dos fundadores do Movimento Negro Unificado (MNU) e um dos primeiros negros a ocupar uma cadeira no Senado. Foi uma voz incansável na defesa das políticas de ação afirmativa e no combate ao racismo institucionalizado.
Seu contato com o teatro se deu no início dos anos 1940, quando estava preso na Penitenciária do Carandiru, em São Paulo, onde participou de um movimento cênico dirigido por encarceirados, o Teatro do Sentenciado. De volta ao Rio de Janeiro, fundou, em 1944, junto a Aguinaldo Camargo, José Herbel, Teodorico dos Santos e Wilson Tibério, o Teatro Experimental do Negro (TEN), com objetivo de incluir os negros nas artes cênicas e desafiar os estereótipos raciais predominantes na época.
O grupo se apresentou pela primeira vez em 1945, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com a montagem de O imperador Jones, de Eugene O’Neill, na qual o protagonista, negro, é representado por um ator negro. O TEN seguiu atuante nos palcos até o início dos anos 1960, quando a edição original de Dramas para negros e prólogo para brancos foi publicada.
O TEN não só oferecia oportunidades de atuação e formação profissional a artistas negros, como também promovia debates sobre questões raciais e culturais, contribuindo significativamente para a conscientização e a valorização da identidade negra. Passaram pelo TEN importantes figuras da dramaturgia brasileira, como Léa Garcia e Ruth de Souza. A criação do grupo marcou um momento decisivo na história do movimento negro e do teatro moderno brasileiro.
- nascimento — morte 1914 — 2011
- país Brasil
- projetos 1 obra publicada

Dramas para negros e prólogo para brancos
Teatro brasileiro Teatro negro
trecho da obra
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Sem dúvidas, estamos assistindo ao encerramento da fase do caos para o negro ex-escravo. Assumindo, no Brasil, as consequências e as implicações que a Negritude contém, ele afia os instrumentos da sua recusa, engendrada na espoliação e no sofrimento: recusa da assimilação cultural; recusa da miscigenação compulsória; recusa à humilhação; recusa à miséria; recusa à servidão.
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O Teatro Experimental da Negro é isto: um instrumento e um elemento da Negritude. Seu único valor absoluto é a sua generosidade.
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Uma coisa é aquilo que o branco exprime como sentimentos e dramas do negro; outra coisa é o seu até então oculto coração, isto é, o negro desde dentro. A experiência de ser negro num mundo branco é algo intransferível.
pags. 58 -- 86
Dramas para negros e prólogo para brancos
A Temporal Editora, em parceria com o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro), anuncia a esperada reedição da antologia Dramas para negros e prólogo para brancos. Esta coletânea, composta por nove peças escritas especialmente para o Teatro Experimental do Negro (TEN), tem orga...
conheça mais- Brasil
- 1961
- 2024
- 808 págs
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