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Desvendando Frank Wedekind

  • por Vinicius Marques Pastorelli

  • categoria: Entrevista

  • tempo de leitura

    2 min
Desvendando Frank Wedekind

Com O despertar da primavera: uma tragédia infantil, o dramaturgo alemão é o mais novo autor a integrar nosso catálogo, ampliando a publicação de obras fundamentais do campo teatral com mais uma coleção: a de teatro moderno. Nesta quinzena, o Blog da Temporal revela mais sobre esta figura excêntrica e fundamental para a dramaturgia.

A seguir, confira o retrato de Frank Wedekind publicado pelo jornalista Maximilian Harden.[i] A entrevista pingue-pongue, como ficou conhecida a prática de perguntas e respostas rápidas entre interlocutores, é uma cortesia do tradutor Vinicius Marques Pastorelli, que nos revelou, traduzindo ao português, este valoroso conteúdo.

*

Entrada de Wedekind no livro de visitas do jornalista

(Traducão de Vinicius Marques Pastorelli)

Qualidade favorita em um homem: temperamento, energia

Qualidade favorita em uma mulher: inteligência

Minha ideia de felicidade: ser utilizado em conformidade às próprias disposições

Habilidade em que se destaca positivamente: mentir

Habilidade em que se destaca negativamente: dizer a verdade

Ciência favorita: religião

Movimento artístico: Michelangelo, Ticiano, Rubens, Makart

Atividades sociais favoritas: as inocuamente divertidas

A mais incurável falta de talento: como pianista

Escritor favorito: Schiller

Compositor favorito: Beethoven

Livro favorito: Casanova

Instrumento musical favorito: quarteto de cordas

Herói literário favorito: Ricardo III

Herói histórico favorito: Alexandre, o Grande

Cor favorita: vermelho

Flor favorita: calla

Pratos favoritos: peixes, aves, salada verde

Bebida favorita: vinho leve local

Nome favorito: Tilly[ii]

Esporte favorito: teatro

Jogo favorito: o que se joga com o mundo

Como você vive: com paixão

Seu temperamento: melancólico

Principal traço de caráter: pertinácia, eu espero

Mote: 2 x 2=4

*

[i] Maximilian Harden (1861-1927) tem associado ao seu nome o Escândalo Harden-Eulenberg, também chamado a denúncia da Távola Redonda do Palácio de Liebenberg. Entre 1907 e 1909, sob a suposta influência da ala de Bismarck alijada do governo, o jornalista berlinense publica na revista Die Zukunft artigos lançando dúvidas sobre a reputação do kaiser Wilhelm II para exercer o poder e, logo em seguida, revelando a relação homossexual do príncipe Eulenberg-Herzefeld com o general Cuno von Moltke, ambos próximos ao imperador. O escândalo, com consequências legais, já que a homossexualidade era tipificada como crime no parágrafo 175 do Código Criminal, força o governo a reagir, seja dirimindo as suspeitas, seja desestabilizando-o e forçando-o a se aproximar de uma ala política que levará a Alemanha à Primeira Guerra Mundial.

[ii] A atriz Tilly (1886-1970) foi esposa de Wedekind até o ano de sua morte, em 1918, e protagonizou algumas de suas peças, como A caixa de Pandora e Rei Nicolo.

artigo por

Vinicius Marques Pastorelli

É formado em Letras pela Universidade de São Paulo (2009), com aperfeiçoamento em língua e cultura alemã pelo Herder-Institut de Leipzig (2013) e mestrado em Literatura Comparada pelo Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da FFLCH-USP, com pesquisa sobre Kurt Weill e o jovem Bertolt Brecht (2014). Desde então, tem dirigido seus estudos para a relação entre música e literatura, com a escrita de ensaios sobre diversos temas dessa área de interesse. No âmbito da cultura germânica, traduziu poemas de Heiner Müller para a revista eletrônica Zunai (2013), de Frank Wedekind e de Heinrich Heine para a revista Magma (2014), de Eduard Mörike, musicados por Hanns Eisler, para a revista eletrônica Campo Aberto (2018), e, mais recentemente, o livro Caminho da floresta, de Ernst Jünger, para a Editora Âyiné (no prelo), além do prefácio e das apresentações para o volume de aquarelas do pintor austríaco Thomas Ender editado pela Capivara (no prelo), e dos ensaios de Theodor Adorno para os volumes Indústria cultural (2020) e Figuras sonoras e outros ensaios (no prelo), ambos editados pela Unesp. Atua como músico e compositor no teatro desde 2010.

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