Aimé Césaire relê peça de Shakespeare pelo olhar de homem escravizado
Folha de S.Paulo 16 jun 2024A matéria da Folha de S.Paulo apresenta Uma Tempestade, de Aimé Césaire, releitura da peça A Tempestade, de William Shakespeare. Publicada originalmente em 1969, a obra de Césaire desloca o foco da narrativa para Calibã, personagem escravizado, transformando a história em uma reflexão sobre colonialismo, racismo, identidade e resistência. A adaptação questiona a visão colonial presente na obra de Shakespeare e dá protagonismo à experiência de quem sofre a dominação. Césaire, escritor, ativista e político martinicano, foi um dos principais nomes do movimento da negritude, que valorizava as raízes e identidades africanas diante da imposição cultural colonial. A matéria também relaciona Calibã a Malcolm X, enquanto seu irmão Ariel representa uma estratégia de resistência mais conciliadora, aproximando a peça dos debates entre Malcolm X e Martin Luther King Jr. A resenha destaca ainda que a obra foi escrita em um contexto de intensas lutas pelos direitos civis nos Estados Unidos. No Brasil, *Uma Tempestade* recebeu tradução de Margarete Nascimento dos Santos e prefácio de Eurídice Figueiredo.

