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"E os cães se calaram" na Bravo! Indica

Bravo 21 ago 2026
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A matéria “Bravo! Indica: 12 livros de novembro” apresenta uma seleção diversificada de lançamentos e obras literárias que chegam ao público explorando temas como identidade, memória, ancestralidade, racismo, colonialismo, relações familiares, pertencimento, resistência e transformação.

Entre os destaques está “Raízes loiras”, de Bernardine Evaristo, romance que utiliza uma inversão histórica para imaginar uma sociedade na qual pessoas negras ocupam a posição de escravizadoras e pessoas brancas são submetidas à escravidão. Por meio dessa construção provocadora, a autora questiona as relações de poder, as estruturas raciais e a forma como a história pode ser observada a partir de diferentes perspectivas.

A seleção também inclui “Recitatif”, de Toni Morrison, conto que acompanha a amizade entre duas meninas que se conhecem durante a infância e voltam a se encontrar em diferentes momentos da vida. A identidade racial das personagens não é revelada diretamente, fazendo com que o leitor confronte suas próprias expectativas e preconceitos enquanto acompanha a história.

Em “E os cães se calaram”, Aimé Césaire combina poesia, teatro, mito e política para abordar a resistência contra a opressão colonial. A peça acompanha um personagem que se recusa a aceitar a submissão e transforma sua luta pela liberdade em uma reflexão sobre poder, violência, colonialismo e resistência.

“Quem é essa mulher: Uma biografia de Zuzu Angel”, de Virginia Siqueira Starling, revisita a trajetória da estilista brasileira Zuzu Angel, sua carreira e sua projeção internacional, mas também sua transformação após o desaparecimento e assassinato de seu filho durante a ditadura militar. A obra mostra como a experiência pessoal de perda levou Zuzu a utilizar sua visibilidade e sua própria produção artística como instrumentos de denúncia e resistência.

Em “Via Gemito”, Domenico Starnone explora a complexa relação entre pai e filho. A partir de lembranças, conflitos e diferentes versões do passado, o autor questiona os limites entre memória e ficção e mostra como a imagem que construímos das pessoas próximas pode ser constantemente modificada pelo tempo.

“Heptalogia”, de Jon Fosse, mergulha na consciência de Asle, um pintor viúvo que vive isolado às margens de um fiorde. Por meio de pensamentos, lembranças, orações e repetições, a narrativa mistura passado e presente e apresenta diferentes versões do personagem, explorando temas como solidão, identidade, fé e existência.

A seleção inclui ainda “Tadáskía: ave preta mística, lua coelho negra”, que reúne trabalhos da artista visual, escritora e educadora Tadáskía. A obra aproxima poesia, desenho e elementos místicos para investigar processos de transformação e as relações entre seres humanos, animais, natureza e diferentes formas de existência.

“Nas ruas de Sag Harbor”, de Colson Whitehead, acompanha um adolescente negro durante o verão de 1985. Depois de passar o ano em uma escola de elite de Manhattan, onde se sente deslocado, o protagonista chega a Sag Harbor tentando reinventar sua identidade. A narrativa aborda juventude, raça, classe social, masculinidade e a tentativa de encontrar um espaço próprio.

Em “A herança da mãe: Um folhetim”, Minae Mizumura acompanha uma mulher de pouco mais de cinquenta anos que precisa lidar simultaneamente com a crise do casamento e com os cuidados de uma mãe idosa. O romance aborda relações familiares, envelhecimento, dependência, casamento e as contradições da sociedade japonesa contemporânea.

“Eu te amo, cretino”, de Milly Lacombe, utiliza o contexto da pandemia e do isolamento para colocar um casal diante de suas próprias dificuldades. A convivência forçada intensifica conflitos, frustrações e questionamentos sobre o relacionamento, resultando em uma narrativa que combina elementos de drama e humor para refletir sobre amor, desgaste e convivência.

Para o público infantojuvenil, “As Aventuras de Kara’i Tukumbó – O Espírito das Águas”, de Djagwa Tukumbó, apresenta uma história de fantasia inspirada em conhecimentos e tradições indígenas. O protagonista precisa enfrentar uma missão relacionada à preservação das águas e da floresta, enquanto busca recuperar o equilíbrio entre os seres humanos, os animais e a natureza.

Fechando a seleção, “Folhas soltas”, de Ruth Guimarães, reúne poemas inéditos e textos que estavam dispersos na produção da escritora. Organizada em diferentes partes, a obra percorre assuntos como amor, dor, fé e ancestralidade e contribui para revelar uma dimensão menos conhecida da produção literária da autora.

Com autores de diferentes países, gêneros e tradições literárias, a seleção proposta pela Bravo! reúne obras que, apesar de suas abordagens distintas, têm em comum o interesse por personagens diante de conflitos pessoais, sociais e históricos. São livros que discutem as marcas deixadas pelo passado, as relações de poder, a construção da identidade e as diferentes maneiras pelas quais indivíduos e comunidades procuram compreender sua própria existência.

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