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Crítica do teatro I por Jean-Pierre Sarrazac
Este livro é uma reunião de ensaios escritos ao longo do anos 1990, que se inscrevem nos debates artísticos da virada do século XX para o XXI, período marcado pelo ressurgimento da ideia de “teatro público” em meio a um contexto, sobretudo na França, de amplas greves de trabalhadores e intensa movimentação social. Ao reconsiderar tal ideia e conferir-lhe perspectiva histórica, Jean-Pierre Sarrazac persegue um objetivo maior: o de refletir sobre os caminhos de um teatro crítico e ativo em um momento no qual antigas utopias tendem a ser vistas com ceticismo. Durante o percurso desta reflexão, o autor busca entender as diferentes formas de pensar a “teatralidade” – que, nas palavras de Roland Barthes, significa “o teatro menos o texto” – em suas relações com a dramaturgia. Ao buscar a função organizadora da teatralidade, sua capacidade de gerar prazer e imaginação utópica, e de proporcionar comunidade crítica e ativa, Sarrazac oferece-nos uma visão do teatro das últimas décadas do século XX, enfocando sua dimensão política, mesmo quando esta não é explícita.
O título Crítica “do” teatro tem suas razões: não se trata de uma crítica “de” teatro, entendida como uma crítica estritamente jornalística, e sim de um debate mais profundo a respeito da própria ideia de teatro, com o propósito menos de julgar do que de examinar, avaliar, ponderar e, como afirma o próprio autor, manter o 'estado de crise'.
Este livro é uma reunião de ensaios escritos ao longo do anos 1990, que se inscrevem nos debates artísticos da virada do século XX para o XXI, período marcado pelo ressurgimento da ideia de “teatro público” em meio a um contexto, sobretudo na França, de amplas greves de trabalhadores e intensa movimentação social. Ao reconsiderar tal ideia e conferir-lhe perspectiva histórica, Jean-Pierre Sarrazac persegue um objetivo maior: o de refletir sobre os caminhos de um teatro crítico e ativo em um momento no qual antigas utopias tendem a ser vistas com ceticismo. Durante o percurso desta reflexão, o autor busca entender as diferentes formas de pensar a “teatralidade” – que, nas palavras de Roland Barthes, significa “o teatro menos o texto” – em suas relações com a dramaturgia. Ao buscar a função organizadora da teatralidade, sua capacidade de gerar prazer e imaginação utópica, e de proporcionar comunidade crítica e ativa, Sarrazac oferece-nos uma visão do teatro das últimas décadas do século XX, enfocando sua dimensão política, mesmo quando esta não é explícita.
O título Crítica “do” teatro tem suas razões: não se trata de uma crítica “de” teatro, entendida como uma crítica estritamente jornalística, e sim de um debate mais profundo a respeito da própria ideia de teatro, com o propósito menos de julgar do que de examinar, avaliar, ponderar e, como afirma o próprio autor, manter o 'estado de crise'.
trecho da obra
PREFÁCIO
Num tempo em que a ultradireita pratica o que chama de “guerra cultural” e se apropria do vocabulário da desconstrução, o enfrentamento dessas questões, como nos sugere o autor, não diz respeito a uma única estratégia estética e política. Um inconformismo radical só pode nascer fora da arte. Seu futuro ainda se liga ao sonho antigo de que todos tenham o direito à vida livre e se tornem produtores de cultura. Na primeira vez que veio a São Paulo, Sarrazac me ofereceu um exemplar deste livro, e na dedicatória escreveu: “Com a ideia de que mesmo o desencanto pode ser ativo