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Allegro desbundaccio por Oduvaldo Vianna Filho
A trama se passa num caótico apartamento carioca, onde acompanhamos uma acelerada trama de encontros, desencontros e quiproquós, cujo núcleo duro é formado por três personagens: Protético, um dentista homossexual vivendo no limite da sobrevivência financeira; Buja, um publicitário que abandonou, sobretudo por razões éticas, seu trabalho bem remunerado; e Teresa, uma jovem vizinha que pretende, em parte por pressão de sua mãe, casar-se com um homem rico, mas se envolve com Buja, que já deixou de ser um bom partido. Ainda se fazem presentes outros tantos personagens, como Ênia, uma jovem hippie que está sempre no apartamento, embora permaneça relativamente alheia ao entorno, evocando o espírito do desbunde dos anos 1970.
O subtítulo, "Se o Martins Pena fosse vivo", evoca um tributo ao comediógrafo carioca do século XIX. Aliás, a peça revisita a comédia tradicional em vários dos seus traços, o que, muito além de mero tradicionalismo, é justamente a via pela qual o autor busca dar forma a novos elementos que passaram a estar presentes na vida da classe média brasileira.
A trama se passa num caótico apartamento carioca, onde acompanhamos uma acelerada trama de encontros, desencontros e quiproquós, cujo núcleo duro é formado por três personagens: Protético, um dentista homossexual vivendo no limite da sobrevivência financeira; Buja, um publicitário que abandonou, sobretudo por razões éticas, seu trabalho bem remunerado; e Teresa, uma jovem vizinha que pretende, em parte por pressão de sua mãe, casar-se com um homem rico, mas se envolve com Buja, que já deixou de ser um bom partido. Ainda se fazem presentes outros tantos personagens, como Ênia, uma jovem hippie que está sempre no apartamento, embora permaneça relativamente alheia ao entorno, evocando o espírito do desbunde dos anos 1970.
O subtítulo, "Se o Martins Pena fosse vivo", evoca um tributo ao comediógrafo carioca do século XIX. Aliás, a peça revisita a comédia tradicional em vários dos seus traços, o que, muito além de mero tradicionalismo, é justamente a via pela qual o autor busca dar forma a novos elementos que passaram a estar presentes na vida da classe média brasileira.
trecho da obra
Buja (Azambuja)
Sou um egoísta, entende? já estava com úlcera, sinto ânsia de vômito quando a vida engrossa, sou uma sensitiva – resolvi não terminar no Pinel. E também tenho o meu lado altruísta – além de não ir pro Pinel, também não quero enlouquecer a humanidade…
Teresa
Humanidade se vira, qual é? não enlouquece assim fácil…
Buja (Azambuja)
Mas eu fazia publicidade, companheira, dava uma boa mão… (Tem ânsias) Está vendo? nem posso falar
nisso ainda direito… sabe quanto se gasta de publicidade nos Estados Unidos, por exemplo? 20 bilhões de dólares. Vinte bi! Bi de Bibi Ferreira! Metade do Produto Bruto Brasileiro de um ano! (Tem ânsia) … entende? (Vai falar do banheiro pra se prevenir) … cada ano um novo carro, nova geladeira nova maçaneta prá porta nova calça novo batom, margarina mais cremosa; exércitos pra bolar novos modelos, exércitos pra fazer pesquisa, exércitos pra fazer espionagem industrial, tudo pra bolar um novo dentifrício com listinha, é o famoso parto da montanha! Rios de dinheiro e as pessoas passando fome e miséria… demagógico eu, não? lembro o velho PTB, não?… 20 bilhões de dólares dá pra que? Por exemplo… dá pra construir casas pra todos os brasileiros… (Tem ânsias mais fortes) … não dá pra falar muito nisso, eu te explico um dia, aos poucos, com um piniquinho na mão… (Sai)